Teatro Nacional Dona Maria II (Sala Garrett). 1 de Março de 2015 (16h00). Sala cheia.
Trata-se de uma peça verdadeiramente densa e, até, complexa, mas escrita de forma saborosa, pronta a deliciar o espectador. O brilhante texto original quase não permitiria outro caminho para o espectáculo, mas, diga-se em abono da verdade, a tradução de Nuno Júdice e a adaptação de João Maria André contribuíram, em muito, para o magnífico resultado final, estrondosamente aplaudido por salas lotadas, ao longo de quase dois meses.
Conservaram a estrutura da peça, com os seus muitos e belos versos, nesta passagem para o português e tiram nota máxima nas suas difíceis funções. A juntar à sensacional adaptação e tradução, a brilhante música de Pedro Carneiro, elemento fulcral na peça, que permite uma maior envolvência do espectador.
Um destaque muito especial para o encenador João Mota, que com este Cyrano de Bergerac se despede da direcção do Nacional, fechando com chave de ouro um ciclo de vitórias.
A encenação, sem mácula, faz brilhar os actores - que se nota, claramente, não estarem espartilhados - e, cumulativamente, as palavras e traz-nos o intimismo necessário ao texto e quase não deixa espaço para momentos mortos, o que é verdadeiramente louvável.
A encenação, sem mácula, faz brilhar os actores - que se nota, claramente, não estarem espartilhados - e, cumulativamente, as palavras e traz-nos o intimismo necessário ao texto e quase não deixa espaço para momentos mortos, o que é verdadeiramente louvável.
Apesar de tudo, a falta de projecção de voz de alguns dos actores e a aparente inexistência de microfones constituíram algumas das falhas do espectáculo - que teria tudo para ser quase perfeito - pelo simples facto de que, numa sala de dimensões relativamente grandes, algumas das frases esmorecem antes de chegar à plateia, fazendo com que se perca o fio à meada.
Para último fica aquele que é, obviamente, o grande trunfo da peça: o sensacional elenco. Não há qualquer falha a apontar, num homogéneo conjunto de actores magníficos, escolhidos a dedo. Contudo, sem tirar mérito a nenhum dos intérpretes, seria injusto não afirmar que Cyrano de Bergerac gira em torno de dois nomes, que são o pilar do espectáculo...
Diogo Infante veste a pele do protagonista e afirma-se, uma vez mais, como um dos grandes actores portugueses da actualidade e, quiçá, de todos os tempos, numa interpretação absolutamente incrível e apaixonante. A seu lado, a jovem e bonita Sara Carinhas, que compõe extraordinariamente a figura de Roxanne, surpreendendo pela positiva e marcando a sua presença em cena com um tom perfeito e uma doçura que, a certa altura, se funde com traços de menina irrequieta e destemida.
Diogo Infante veste a pele do protagonista e afirma-se, uma vez mais, como um dos grandes actores portugueses da actualidade e, quiçá, de todos os tempos, numa interpretação absolutamente incrível e apaixonante. A seu lado, a jovem e bonita Sara Carinhas, que compõe extraordinariamente a figura de Roxanne, surpreendendo pela positiva e marcando a sua presença em cena com um tom perfeito e uma doçura que, a certa altura, se funde com traços de menina irrequieta e destemida.